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Direitos Legais · GDPR · LGPD · Guia 2026

Direito ao Apagamento: O Guia Completo para EUA, UE e Brasil

O direito a ser esquecido não é uma lei única — é um conceito legal reconhecido de formas diferentes em diferentes jurisdições. Este guia cobre tudo: GDPR Artigo 17, LGPD brasileira, Google RTBF, processos nas DPAs, opções nos EUA, e a nova fronteira das IAs. Entenda o que realmente funciona para artigos de notícias — e o que não funciona.

Tempo de leitura: ~12 min
Publicado: 25 mai. 2026
Autor: Anthony Will, CEO & Co-Founder
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PONTOS PRINCIPAIS
Conteúdo deste guia
Seção 01

O Que É o Direito a Ser Esquecido — e De Onde Veio

O conceito de 'direito a ser esquecido' (Right to Be Forgotten, RTBF) ganhou reconhecimento legal formal com o acórdão Google Spain vs. AEPD, 2014, em que o Tribunal de Justiça da União Europeia decidiu que cidadãos têm o direito de pedir ao Google para desindexar links sobre eles em determinadas circunstâncias.

Esse conceito foi codificado no GDPR (Regulamento Geral sobre a Proteção de Dados, 2018) como Artigo 17 — 'Direito ao Apagamento'. No Brasil, a LGPD (Lei nº 13.709/2018) oferece proteção análoga em seu Artigo 18, estabelecendo os direitos do titular de dados pessoais.

Nos Estados Unidos, não existe um equivalente federal — mas a Califórnia (CCPA/CPRA), Virginia (CDPA), Colorado, Connecticut e Texas têm leis estaduais de privacidade que incluem direitos de exclusão de dados, com alcance mais limitado do que o GDPR.

Contexto Global

O RTBF não é uma lei única — é um conceito legal reconhecido em diferentes formas em diferentes jurisdições. O GDPR é a versão mais robusta. A LGPD brasileira é a segunda mais forte. Direitos nos EUA variam por estado e são geralmente mais fracos.

Seção 02

GDPR Artigo 17: O Texto que Importa

O Artigo 17(1) do GDPR estabelece seis bases para solicitar apagamento. Para artigos de notícias, as mais relevantes são: dados não mais necessários para os fins de coleta; tratamento ilegal; e objeção baseada em interesses legítimos sem fundamento preponderante.

O Artigo 17(3) estabelece as exceções: liberdade de expressão, obrigações legais, interesse público, fins científicos/históricos/estatísticos, e exercício de direitos legais. A exceção mais frequentemente invocada por jornais é o Art. 17(3)(a) — liberdade de expressão e informação.

A tensão entre Art. 17(1) e Art. 17(3)(a) é onde a maioria dos casos de RTBF para artigos de notícias é decidida. O GDPR não resolve essa tensão automaticamente — cabe à publicação, ao Google, e eventualmente à DPA ou tribunal, pesar os interesses em cada caso específico.

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Seção 03

Registros Criminais: O Fundamento Mais Forte de RTBF

A categoria com maiores taxas de sucesso em pedidos RTBF são artigos sobre registros criminais — especialmente quando:

• O processo foi arquivado ou absolvição decretada

• A pena foi cumprida há muitos anos

• O crime foi cometido quando o solicitante era menor de idade

• O artigo não envolveu figura pública no exercício de função pública

A lógica é que o interesse público em punição e correção diminui com o tempo, enquanto o interesse do indivíduo em reintegração social é contínuo. O TJUE reconheceu explicitamente esse princípio em decisões subsequentes ao caso Google Spain.

No contexto da LGPD brasileira, a Lei de Execução Penal e os princípios constitucionais de dignidade da pessoa humana e reabilitação reforçam os argumentos de apagamento para dados criminais antigos.

Limitação Importante

RTBF não apaga o registro criminal em si — apenas desindexação de artigos que o mencionam. O registro judicial permanece nos tribunais. O que muda é a acessibilidade via busca no Google.

Seção 04

Estados Unidos: Sem RTBF Federal, Mas Com Opções

Os EUA não possuem uma lei federal equivalente ao GDPR. A Primeira Emenda protege fortemente a liberdade de imprensa, tornando remoções por via legal muito mais difíceis. Porém, existem caminhos práticos:

Seção 05

A Dimensão da IA: Quando as Máquinas Lembram

O RTBF ganhou uma nova camada de complexidade com a proliferação de ferramentas de IA generativa. Modelos de linguagem como o ChatGPT, Claude, e Gemini são treinados em grandes corpora de texto da internet — potencialmente incluindo artigos que você deseja remover.

Se um artigo sobre você fez parte dos dados de treinamento de um modelo de IA, a desindexação do Google não elimina o conhecimento que o modelo pode ter sobre o evento. Perguntas diretas às ferramentas de IA sobre seu nome podem surfacear informações — mesmo sem o artigo aparecer no Google.

Esta é uma fronteira emergente do RTBF. O TJUE ainda não se pronunciou definitivamente sobre se modelos de IA devem implementar direitos de apagamento análogos aos do GDPR. A ANPD brasileira publicou em 2024 uma resolução sobre IA que começa a abordar essas questões.

A solução prática atual: combinar remoção/desindexação de artigos com criação ativa de conteúdo positivo que 'preencha' o que as IAs aprendem sobre você — entrevistas, perfis, publicações, participações em conferências.

Seção 06

O Caminho da Queixa na DPA: Quando e Como Usar

Quando a publicação recusa o pedido de apagamento, a escalada para a Autoridade de Proteção de Dados (DPA) competente é o passo seguinte. Este não é o passo final — as DPAs também podem recusar, deixando o recurso judicial como última instância.

Dado de Eficácia

Queixas bem fundamentadas às DPAs europeias têm taxa de decisão favorável de aproximadamente 35 a 45% para casos de artigos de notícias. Esse número sobe significativamente quando o caso envolve artigos sobre crimes de mais de 10 anos, casos arquivados, ou solicitantes que eram menores de idade à época.

Seção 07

LGPD no Brasil: Especificidades para Residentes Brasileiros

A LGPD (Lei nº 13.709/2018) entrou em vigor em setembro de 2020 e suas sanções foram ativadas em agosto de 2021. A ANPD (Autoridade Nacional de Proteção de Dados) é o órgão regulador.

Para artigos de notícias em publicações brasileiras, os fundamentos mais fortes da LGPD são:

Art. 18(IV) — eliminação de dados tratados em desconformidade com a lei

Art. 18(VI) — bloqueio de dados desnecessários, excessivos ou tratados em desconformidade

Art. 9, parágrafo único — dados sensíveis (saúde, biometria, dados criminais) têm proteção reforçada

Publicações jornalísticas podem invocar a exceção do Art. 4(II)(a) — tratamento para fins exclusivamente jornalísticos. Mas esta exceção não é ilimitada: o tratamento ainda precisa ser proporcional, necessário e respeitar os direitos fundamentais do titular.

Seção 08

Quando Buscar Ajuda Profissional para RTBF

O processo de RTBF pode ser navegado individualmente em casos simples — um artigo antigo em publicação pequena, fundamentos claros, ausência de interesse público atual. Mas a maioria dos casos que chegam até nós envolve complexidade adicional:

• Múltiplos artigos em múltiplas publicações e jurisdições

• Artigos em grandes publicações com departamentos jurídicos que respondem a pedidos GDPR com recusa padrão

• Necessidade de coordenar pedido ao editor, pedido ao Google, e potencial escalada para DPA

• Prazos urgentes (entrevista de emprego, processo de imigração, fusão empresarial)

Nossas taxas de sucesso para pedidos GDPR/LGPD para artigos de notícias são significativamente maiores do que as tentativas individuais — especialmente porque sabemos quais argumentos ressoam com quais DPAs e quais editores respondem a pedidos documentados.

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Perguntas Frequentes

O direito a ser esquecido se aplica nos Estados Unidos?
Não existe um equivalente federal do GDPR nos EUA. A Califórnia (CCPA/CPRA) tem os direitos estaduais mais fortes, mas com alcance mais limitado do que o GDPR europeu e geralmente não aplicável a conteúdo jornalístico. Nos EUA, os caminhos práticos são: contato editorial direto, Google Outdated Content Tool para conteúdo desatualizado, e — para afirmações falsas — lei de defamação. Supressão é frequentemente a abordagem mais eficaz para artigos americanos não removíveis.
Qual a diferença entre GDPR e LGPD para fins de remoção de artigos?
Ambos estabelecem direitos de apagamento similares. As principais diferenças práticas: o GDPR tem jurisprudência mais desenvolvida (desde 2018 para o regulamento, desde 2014 para o conceito via Google Spain); a ANPD brasileira é mais recente e ainda consolida sua jurisprudência; as sanções do GDPR são proporcionalmente maiores (€20M ou 4% do faturamento global vs. R$50M por infração na LGPD); e o processo do Google RTBF é baseado no GDPR e aplica-se primariamente a domínios europeus.
Quanto tempo dura um processo de RTBF do início ao fim?
O pedido à publicação deve receber resposta em 30 dias (GDPR/LGPD). O processo Google RTBF leva de 3 a 8 semanas. Uma queixa formal à DPA pode levar de 3 a 18 meses para decisão, dependendo da autoridade e da complexidade do caso. Em casos urgentes, muitas DPAs têm processos de medida cautelar — mas não são garantidos.
Artigos sobre mim publicados antes do GDPR (antes de 2018) podem ser removidos?
Sim. O GDPR aplica-se ao tratamento atual de dados pessoais — não apenas à publicação original. Mesmo que um artigo tenha sido publicado em 2010, se ele ainda está online e continua sendo tratado (armazenado, indexado, acessível) por uma entidade na UE, o GDPR aplica-se. A data de publicação original não é um obstáculo.
Posso remover um artigo sobre uma condenação criminal usando RTBF?
Depende das circunstâncias. Condenações antigas, penas já cumpridas, e casos envolvendo reabilitação são os cenários com maior taxa de sucesso. Condenações recentes de figuras públicas em casos de interesse público têm as menores chances. Casos de menores de idade à época do crime têm as maiores chances de sucesso em qualquer jurisdição GDPR/LGPD. O RTBF nunca apaga o registro judicial — apaga a indexação e acessibilidade do artigo.
O que acontece se a DPA decidir contra mim?
Você tem o direito de recorrer judicialmente da decisão da DPA. Nos países da UE, os tribunais administrativos têm competência para revisar decisões das DPAs. No Brasil, o recurso é via Poder Judiciário. Processos judiciais são mais custosos e demorados, mas têm precedentes favoráveis — especialmente o Supremo Tribunal Federal brasileiro, que tem jurisprudência sobre direito ao esquecimento, embora com posição mais restritiva após julgamento de 2021.
O direito ao esquecimento se aplica a ferramentas de IA como ChatGPT?
Esta é uma área legal em desenvolvimento. Formalmente, o GDPR aplica-se a qualquer 'controlador de dados' — o que pode incluir desenvolvedores de modelos de IA. O TJUE ainda não decidiu definitivamente se e como os direitos de apagamento do GDPR se aplicam a modelos de linguagem treinados com dados pessoais. A ANPD brasileira abordou questões de IA em sua regulamentação de 2024. Na prática, as empresas de IA têm processos voluntários de remoção de dados de treinamento, mas são difíceis de verificar.
Quanto custa buscar ajuda profissional para um pedido RTBF?
Empresas de gestão de reputação como a RemoveNews.ai geralmente trabalham com modelo de honorários de êxito — você paga apenas se a remoção for bem-sucedida. Isso elimina o risco financeiro de tentar remover um artigo que pode não ser removível. Advogados de privacidade cobram por hora, geralmente entre $250 e $600/hora nos EUA, ou valores similares na UE. Para casos com múltiplos artigos e múltiplas jurisdições, a combinação de empresa de reputação (para remoções práticas) e advogado (para ações legais, se necessário) é frequentemente a abordagem ideal.
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